quinta-feira, 15 de setembro de 2011

UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA

A configuração político-territorial da Itália, no início de século XIX, sofreu grande intervenção por parte das medidas firmadas pelo Congresso de Viena de 1814. Com os acordos consolidados, a atual região da Itália ficou dividida em oito estados independentes, sendo que alguns deles eram controlados pela Áustria.

Nesse mesmo período de recondicionamento da soberania monárquica, movimentos nacionalistas afloraram em diferentes partes da Itália. Ao mesmo tempo, as motivações e projetos desses grupos nacionalistas eram bastante variados. Envolvendo grupos de trabalhadores urbanos e rurais e alcançando até mesmo a burguesia nacional, o Risorgimento manifestava-se em ideais que passavam por tendências republicanas e, até mesmo, monárquicas.

Outra interessante manifestação nacionalista também pôde ser contemplada com o aparecimento dos carbonários. A ação dos carbonários se estabeleceu ao sul da Itália sob a liderança do comunista Filippo Buonarotti. Lutando contra a ação dos governos absolutistas, o carbonarismo foi um dos mais importantes movimentos nacionalistas de bases popular da Itália.

Giuseppe Garibaldi

Em 1831, Giuseppe Mazzini liderou outro movimento republicano representado pela criação da Jovem Itália. Mesmo não obtendo sucesso, o nacionalismo italiano ainda teve forças para avivar suas tendências políticas. No ano de 1847, uma série de manifestações anti-monárquicas tomaram conta da região norte, nos reinos de Piemonte e Sardenha, e ao sul no Reino das Duas Sicílias. No Reino da Lombardia consolidou-se um dos maiores avanços republicanos quando o rei foi obrigado a instituir um Poder Legislativo eleito pelos cidadãos.

Mesmo com a agitação dessas revoltas, a presença austríaca e o poder monárquico conseguiram resistir à crescente tendência republicana. Só com o interesse da burguesia industrial do norte da Itália, politicamente patrocinada pelo primeiro-ministro piemontês Camilo Benso di Cavour, que o processo de unificação começou a ter maior sustentação. Angariando o apoio militar e político dos Estados vizinhos e do rei francês Napoleão III, em 1859, a guerra contra a Áustria teve seu início.

Temendo a deflagração de movimentos de tendência socialista e republicana, o governo Francês retirou o seu apoio ao movimento de unificação. Ainda assim, Camilo di Cavour conseguiu unificar uma considerável porção dos reinos do norte. Nesse mesmo período, ao sul, Giuseppe Garibaldi liderou os “camisas vermelhas” contra as monarquias sulistas. Para não enfraquecer o movimento de unificação, Garibaldi decidiu abandonar o movimento por não concordar com as idéias defendidas pelos representantes do norte.

Dessa maneira, os monarquistas do norte controlaram a unificação estabelecendo o rei Vítor Emanuel II. No ano de 1861, o Reino da Itália era composto por grande parte do seu atual território. Entre 1866 e 1870, após uma série de conflitos, as cidades de Veneza e Roma foram finalmente anexadas ao novo governo. A unificação da Itália teve seu fim no ano de 1929, quando após anos e anos de resistência da autoridade papal, o tratado de Latrão completou a formação da nação italiana.

Apesar de representar uma luta histórica ao longo do século XIX, a unificação italiana não conseguiu prontamente criar uma identidade cultural entre o povo italiano. Além das diferenças de cunho histórico, lingüístico e cultural, a diferença do desenvolvimento econômico observado nas regiões norte e sul foi outro entrave na criação da Itália.


http://www.brasilescola.com/historiag/unificacao-italia.htm

Fonte:

UNIFICAÇÃO ALEMÃ


Depois da queda de Napoleão, o processo de reorganização das monarquias européias deu origem à formação da Confederação Alemã. Tal confederação consistia em uma região formada por 38 Estados independentes comprometidos a defenderem a soberania das monarquias dos estados participantes. Dentro desse aglomerado de monarquias, Áustria e Prússia sobressaiam-se enquanto as mais influentes nações da Confederação.

Por um lado, os austríacos tinham seu desenvolvimento econômico sustentado pelo seu forte setor agrícola. De outro, a Prússia via no processo de unificação política dos estados confederados um importante passo para o desenvolvimento econômico daquela região. Buscando efetivar seu interesse, a Prússia criou uma zona aduana chamada de Zollverein, que aboliu as taxas alfandegárias entre as monarquias envolvidas no acordo.

Alheia a esse processo de industrialização e unificação, a Áustria foi excluída do acordo. Prestigiado com o cargo de primeiro-ministro da Prússia, o chanceler Otto Von Bismarck tomou a missão de promover o processo de unificação alemã. Em 1864, entrou em guerra contra a Dinamarca e assim conquistou territórios perdidos durante o Congresso de Viena.
Chanceler Otto Von Bismarck

No ano de 1866, Bismarck entrou em conflito com a Áustria e, durante a Guerra das Sete Semanas, conseguiu dar um importante passo para a unificação com a criação da Confederação Alemã do Norte. Com isso, a Prússia passou a deter maior influência política entre os estados germânicos, isolando a Áustria. Com a deflagração de um desgaste político entre a França e a Prússia, o governo de Bismarck tinha em mãos a última manobra que consolidou o triunfo unificador.

Com a vitória na Guerra Franco-Prussiana, em 1870, a Prússia conseguiu unificar a Alemanha. O rei Guilherme I foi coroado como kaiser (imperador) da Alemanha e considerado o líder máximo do II Reich Alemão. Conquistando na mesma guerra as regiões da Alsácia e da Lorena, ricas produtoras de minério, o império alemão viveu a rápida ascensão de sua economia.
O processo de unificação da Alemanha, junto com o italiano, simbolizou um período de acirramento das disputas entre as economias européias. A partir do estabelecimento dessas novas potências econômicas, observamos uma tensão política gerada pelas disputas imperialistas responsáveis pela montagem do delicado cenário preparatório da Primeira e da Segunda Guerra Mundial.

INDEPENDÊNCIAS DAS COLONIAS ESPANHOLAS


A CRISE DO IMPÉRIO COLONIAL ESPANHOL

O processo de independência das colônias espanholas está relacionado ao desenvolvimento das ideias liberais no século XVIII, tais como o Iluminismo, a Independência dos Estados Unidos, a Revolução

Industrial e a Revolução Francesa.

No final do século XVIII e início do século XIX, a Espanha já não e-mails uma grande potência europeia. Tanto a Inglaterra como a França, passaram a ter acessos às áreas coloniais da Espanha.

Em 1713, a Inglaterra passa a ter o direito sobre o asiento, ou seja, sobre o fornecimento de escravos para as colônias) e o chamado permisso, quer dizer, comércio direto com as colônias. No ano de 1797, com o decreto da abertura dos portos, as colônias espanholas passaram a manter relações comercias diretamente com as nações amigas da Espanha. No ano de 1799, o governo procurou anular o decreto, provocando uma forte reação colonial.

O PROCESSO DA INDEPENDÊNCIA.

O processo da independência da América Hispânica está diretamente relacionado com a deposição de Fernando VII em 1808, quando as tropas francesas ocuparam a Espanha. Napoleão Bonaparte nomeia seu irmão, José Bonaparte, como o novo rei da Espanha, desencadeando uma forte reação nas colônias, que passaram a formaras Juntas Governativas - com caráter separatistas e lideradas pelos criollos.

ETAPAS

Antes dos movimentos separatistas ocorreram revoltas coloniais contra o domínio espanhol, destacando-se a revolta dos índios do Peru, liderados por Tupac Amaru.

Entre os precursores da independência das colônias hispânicas, destaque para Francisco Miranda, que planejou a independência da Venezuela, movimento que fracassou.

O movimento emancipacionista contou com a liderança dos chamados "libertadores da América" - Simón Bolívar, José de San Martin, José Sucre, Bernardo O'Higgins, Augustin Itúrbide, Miguel Hidalgo e José Artigas.

A primeira tentativa de emancipação ocorreu no México, em 1810,sob a liderança do padre Miguel Hidalgo. No ano de 1821, o General Augustin Itúrbide proclama a independência do México.

A partir de 1823, e seguindo e exemplo mexicano, foi a vez das colônias da América Central proclamarem a independência, surgindo as Províncias Unidas da América Central, que fragmentou-se em diversas Repúblicas: Costa Rica, Honduras, El Salvador, Guatemala e Nicarágua. Cuba e São Domingos só tiveram a independência no final do século XIX.

No ano de 1818, sob a liderança de Símon Bolívar surge a Grã-Colômbia, que em 1830 se separam, formando a Colômbia e a Venezuela. Em 1822 é proclamada a independência do Equador ( Sucree Bolívar).

Bernardo O'Higgins liberta o Chile, com a ajuda de San Martín, no ano de 1817; San Martin e Bolívar libertam o Peru em 1821; em 1825foia vez da Bolívia, sob o comando de Sucre.

Na região do Prata o grande libertador foi San Martín (Argentina)

1816; Paraguai 1811 e Uruguai em 1828).

O processo de independência da América Hispânica contou com forte participação popular e com o apoio da Inglaterra, interessada em ampliar seu mercado consumidor. Uma outra característica foi a grande fragmentação territorial, em virtude do choque entre os diversos interesses das elites coloniais.

Do ponto vista econômico, a independência não rompeu com os laços de dependência em relação às potências europeias. As novas nações continuavam a ser exportadoras de matérias-primas e importadoras de produtos manufaturados. No plano político, os novos dirigentes excluíram qualquer forma de participação popular nas decisões políticas.


Organização dos Estados Nacionais.

Entre os libertadores da América, Símon Bolívar defendia a unidade política interamericana, com a proposta da criação de uma Confederação de países latino-americanos. Este sonho de unidade territorial é conhecido como Bolivarismo, que contou com a oposição da Inglaterra e dos Estados Unidos. A este, a fragmentação política contribuiria para a consolidação norte-americana sobre a região (Doutrina Monroe); já para a Inglaterra, a fragmentação consolidaria sua hegemonia econômica. Ou seja, dividir para melhor controlar.

Na organização dos Estados Nacionais na América Hispânica duas tendências de governo se apresentam: a Monarquia e a República – com vitória dos movimentos republicanos. A seguir, novos conflitos quanto a organização do regime republicano- federalista ou centralista.

O federalismo propunha uma ampla autonomia em relação ao poder central, exprimindo os princípios do liberalismo econômico. Já o centralismo era defendido como forma de manter a unidade nacional e a manutenção de privilégios.

O principal fenômeno político destas novas nações americanas foi o surgimento do caudilhismo. O caudilho era um chefe político local, grande proprietário de terra e que procurava manter as mesmas estruturas sociais e econômicas herdadas do período colonial. Foi responsável pela grande instabilidade na formação dos Estados Nacionais.

O caudilhismo contribui, de maneira decisiva, para a fragmentação política e territorial da América Hispânica. Outros fatores para a fragmentação: ausência de vínculos econômicos entre as colônias e atividades econômicas voltadas para atenderem as exigências do mercado externo.


A PRIMAVERA DOS POVOS



Durante o ano de 1848 a Europa foi sacudida por uma série de revoluções de cunho liberal ("Primavera dos povos"). O que levava os cidadãos a participarem das barricadas foi uma mescla de aspirações que iam do socialismo utópico à redução da jornada de trabalho. O movimento em cadeia iniciou-se com a insurreição da Sicília e se estendeu até a guerra na Hungria.

Itália

O movimento italiano não teve um sentido social. Seus líderes, animados por ideais liberais e republicanos, desejavam a unificação do país, o que ocorreria apenas em 1861. A Sicília rebelou-se contra a dominação da dinastia dos Bourbons em 1848. Apesar de esmagada em poucos dias, a rebelião provocou reações em Milão - que se insurgiu contra a dominação austríaca -, Veneza e no Piemonte. Garibaldi teve papel estratégico nas lutas, mas acabou aprisionado e condenado ao exílio. A ordem foi restabelecida.

França


O rei, da dinastia dos Orleans, enfrentava dois grupos oposicionistas: os legitimistas, que defendiam a monarquia, mas eram adeptos dos Bourbons, e os liberais, que se opunham à política ultraconservadora. A crise agrícola provocava escassez de alimentos, enquanto uma crise financeira fazia as sociedades conspiradoras proliferarem. As pressões políticas exigiam o sufrágio universal, mas o governo proibiu manifestações públicas. O povo se rebela. No dia 23 de fevereiro de 1848, um grupo de exaltados se manifesta em frente ao Ministério do Exterior. A tropa abre fogo e centenas morrem. Tem início a insurreição. A Guarda Nacional, aderindo à rebelião, força o rei a abdicar.

Vitoriosa, a massa não sabe como agir, mas um governo provisório é formado, composto de republicanos moderados (maioria) e comunistas. A instabilidade se alastra. Há corrida aos bancos, fechamento da bolsa de valores e falências. Surgem as primeiras divisões entre moderados e comunistas. A assembléia constituinte é instalada em 4 de maio. Dias depois, a multidão invade a assembléia. Os líderes extremados são presos. Há uma nova tentativa de revolução em junho, vencida com rapidez: mais de dez mil são presos, banidos para a Argélia ou fuzilados. A nova constituição é votada em fevereiro de 1849. Na eleição presidencial, em dezembro, os moderados vencem. O novo presidente daria um golpe de Estado - "O 18 Brumário de Luís Bonaparte" - em 2 de dezembro de 1851, criando o Segundo Império.

Alemanha

Nesse país igualmente desunido, as aspirações liberais eram representadas pela intelectualidade. Operários e camponeses fizeram levantes em vários Estados (a Alemanha só seria unificada em 1871). No dia 18 de março, as forças da monarquia prussiana mataram centenas que haviam levantado barricadas em Berlim. Aceitando as reclamações liberais, a monarquia convocou uma assembléia nacional, eleita de forma indireta. Apesar dos debates para a elaboração da nova constituição, ela foi recusada pelo rei, que dissolveu o parlamento.

Áustria

Contra o regime monárquico formou-se uma corrente oposicionista que incluía setores da aristocracia. Em março de 1848, o movimento realiza barricadas e manifestações em Viena. O rei forma um ministério liberal e promete nova constituição. Em maio, o povo volta à carga. Há rebeliões em Praga, então sob domínio austríaco. O governo outorga uma constituição provisória e, em julho, a assembléia constituinte se reúne. Ocorre um novo levante popular, mas o exército ataca, fuzilando inclusive deputados radicais. Em novembro, o imperador abdica, mas a monarquia seria restabelecida em 1852.

Hungria

O movimento pela independência do domínio austríaco vinha crescendo desde 1830. As eleições de 1847 deram vitória aos liberais. As primeiras rebeliões ocorrem em fevereiro e março de 1848. Em abril, forma-se um governo no qual a Hungria torna-se virtualmente livre, mas no início de setembro o país é invadido pelo exército da Áustria. A lei marcial é decretada, o novo ministério se demite. A guerra se amplia em 1849. Com a ajuda dos russos, que invadem a Hungria pelo norte, a revolução é liquidada. A repressão é implacável, com centenas de cidadãos executados.


Fonte: http://vestibular.uol.com.br/ultnot/resumos/primavera-dos-povos.jhtm