domingo, 19 de outubro de 2014

Império Carolíngio


Em 768, a dinastia carolíngia foi entregue a Carlos Magno, monarca responsável pelo apogeu da dominação dos francos na Europa Medieval. Seguindo uma política de tom expansionista, o novo rei promoveu o domínio de territórios situados na Península Itálica e entrou em luta contra os muçulmanos, estabelecendo a Marca de Hispânia, na região sul dos Pirineus. Logo depois, conquistou a cidade de Barcelona, as ilhas Baleares e impôs sua dominação sob os povos saxões da Germânia.

Formando um vasto território, Carlos Magno teve grande preocupação em organizar administrativamente as regiões conquistadas. Para tanto, realizou a doação de terras a todos os nobres que o auxiliavam durante as batalhas. Além disso, dividiu todos os domínios imperiais em duzentos condados que seriam geridos por um nobre e um bispo. O controle do poder exercido por esses líderes locais era fiscalizado por um funcionário público chamado missi dominici (“enviados do senhor”).

O advento de formação do Império Carolíngio marcou profundamente o processo de expansão do cristianismo dentro da Europa. No dia 25 de dezembro de 800, Carlos Magno foi coroado como imperador do novo Império Romano do Ocidente pelo papa Leão III. A aproximação realizada pela Igreja se justificava pela possibilidade de conversão de todos os domínios agregados à autoridade de uma mesma liderança política.

Para que as ações fossem cumpridas, Carlos Magno criou um conjunto de leis escritas conhecidas como capitulares. Indo na contramão do processo de descentralização política que marcou toda a Europa Medieval, tal advento marcou a criação do primeiro conjunto de leis escritas desse período histórico. A vigência dessas leis era somente válida nas regiões originais do território imperial, deixando que os costumes e tradições dos povos conquistados fossem preservadas.

Sob o aspecto econômico, o império contou com um comércio bastante movimentado pelas várias feiras e mercados distribuídos nos centros urbanos europeus. Em razão do fechamento comercial do mar Mediterrâneo, naquele instante controlado pelos árabes, a grande maioria dessas riquezas circulava com destino ao Norte da Europa. Apesar do intenso comércio experimentado no interior de seus domínios, o Império Carolíngio tinha na agricultura o grande suporte de suas atividades econômicas.

Aproveitando de todo esse cenário estável, o reinado de Carlos Magno foi também conhecido por um grande desenvolvimento das artes e do conhecimento. Ao longo do chamado “renascimento carolíngio”, várias escolas e igrejas foram construídas, a obra de escritores greco-romanos traduzida e a ourivesaria se fizeram presentes em vários manuscritos. Boa parte dessa movimentação do conhecimento se dava pela ação do próprio rei, que se aproximou de vários intelectuais da época.

Chegada a morte do rei, em 814, o Império Carolíngio foi governado por Luís, O Piedoso, até o ano de 840. Com sua morte, três herdeiros disputaram os domínios daquele vasto império. Três anos mais tarde, o Tratado de Verdun oficializou a partilha do Império Carolíngio em três reinos menores. Tal ação foi início da desintegração territorial, tendo em vista o consequente enfraquecimento militar e as invasões provocadas pelos vikings e magiares do leste europeu.

Dessa maneira, os nobres proprietários de terra passaram a experimentar uma maior autonomia política. Uma das características fundamentais do feudalismo se viabilizava no momento em que as invasões estrangeiras e a fragmentação do território aconteciam. Na porção oriental do império, os duques da Saxônia fundaram o Reino Germânico, organizado por uma monarquia eletiva. Já na região ocidental, o reduzido império carolíngio foi administrado pela enfraquecida dinastia capetíngia.
Por Rainer Sousa
Mestre em História
fonte: http://www.mundoeducacao.com/historiageral/imperio-carolingio.htm

Império Romano - Baixo Império: Crises e decadência
Chamamos de Baixo Império o período final do Império Romano do Ocidente, caracterizado por sua decadência e queda, em 453, em meio às invasões dos povos germânicos. A origem mais remota dessa crise está diretamente ligada à combinação entre a estrutura econômica do Império e sua incapacidade de dar sequência à saga de conquistas, única forma capaz de manter os domínios de Roma. Fronteiras naturais Roma expandiu-se, ao longo da República e início do Império, até onde as fronteiras naturais fossem capazes de resguardar seus domínios. Ao sul, a fronteira natural era o Saara, impossibilitando invasões advindas do centro e do sul da África. A oeste, o Império estendia-se até o Atlântico, garantindo sua fronteira ocidental com o domínio da Bretanha. A fronteira oriental do Império era garantida pelo deserto da Arábia, o Cáucaso, o mar Negro e as montanhas do planalto iraniano. Ao norte, os rios Reno e Danúbio eram os principais componentes do limes. Assim, conforme vimos, o Alto Império buscou apenas consolidar os domínios romanos. Mesmo as conquistas da Dácia e da Mesopotâmia obedeceram ao critério do guarnecimento em fronteiras naturais. No caso da primeira, ela levava o Império até os montes Cárpatos. A segunda, apenas estendia seus domínios por um vale imensamente fértil, mas facilmente defensável pela presença dos rios Tigre e Eufrates e pelo caráter montanhoso e desértico de seu entorno. Dessa forma, percebemos que as conquistas romanas cessaram pela total inexistência de áreas a conquistar. Ao norte do Império, por exemplo, além do Reno e do Danúbio, estendia-se uma vasta planície que, praticamente sem interrupções, seguia até os montes Urais, criando uma região gigantesca e impossível de ser defendida. Consequências do fim das conquistas Embora fundamental de imediato para consolidar o domínio romano, o fim das conquistas trouxe consigo efeitos que, a longo prazo, se revelariam desastrosos para as estruturas do Império. Em primeiro lugar, o ímpeto de conquistas havia gerado a formação de um gigantesco e dispendioso exército, que só poderia ser mantido se Roma fosse capaz de garantir a manutenção do fluxo de riquezas obtido com as guerras e vitórias. Assim, a estabilidade das fronteiras tornou-se frágil diante das dificuldades de se garantir o abastecimento de todo o exército. Além disso, o fim das conquistas trouxe um efeito sobre a estrutura de mão-de-obra do Império. Conforme vimos anteriormente, grande parte da economia romana assentava-se sobre a mão-de-obra escrava, cuja fonte de abastecimento mais forte era o afluxo de prisioneiros de guerra estrangeiros. As péssimas condições de vida, o alto índice de mortalidade, a baixa expectativa média de vida, além do pequeno índice de natalidade dos escravos, pelo fato de que o número de mulheres escravas era sempre mais baixo, geravam um crescimento vegetativo negativo. A esse dado some-se o efeito da pregação cristã, que, ao defender a igualdade e negar a escravidão, servia de estímulo a fugas e revoltas de escravos. A única forma de repor essa mão-de-obra seria por meio das conquistas, cessadas desde o início do século 1. Crise econômica Assim, lentamente, o número de escravos declinou ao longo do Alto Império, chegando, no século 3, a uma situação de escassez definitiva. E o primeiro efeito da crise do escravismo foi a crise econômica, gerando alta de preços, escassez e desabastecimento das cidades. Tal situação obrigava o Império a um aumento sistemático das importações de produtos agrícolas, inclusive de regiões de fora do Império. Isso significava um aumento da saída de moedas do Império, agravado pelo fato de as minas de metais preciosos estarem esgotadas. Outro elemento agravante era a alta natural de preços gerada pela escassez. O somatório desses elementos gerou uma grave crise financeira que, por sua vez, provocou o declínio do comércio e de toda a atividade urbana. Algumas medidas foram tentadas para deter a crise. Ainda no final do século 3, o imperador Diocleciano decretou o Edito do Máximo, limitando salários e preços de uma série de gêneros. Mas eram medidas meramente paliativas ante a dimensão de uma crise que, longe de ser passageira, apresentava um caráter estrutural. O agravamento da crise passou, já a partir do século 4, a apresentar efeitos militares e administrativos. Ocorreu o desequilíbrio entre a força do Exército e a massa de bárbaros que pressionava as fronteiras do Império. Desequilíbrio esse que era apenas a consequência mais visível de outros importantes desequilíbrios: entre as despesas do Estado e sua arrecadação; entre a produção e o consumo; entre o campo e a cidade; e entre a proporção de escravos e a de homens livres. Toda a estrutura social, econômica e administrativa do Império começava a se desagregar. O enfraquecimento do Exército tornava o Império mais vulnerável a revoltas de províncias e de escravos, enfraquecendo-o ainda mais. Ao mesmo tempo, tornava mais desprotegida a extensa fronteira do Império. Era o princípio da desintegração. fonte: http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/imperio-romano---baixo-imperio-crises-e-decadencia.htm